DESAFIO: "A BÍBLIA EM UM ANO"

Ducentésimo trigésimo sétimo dia: Jeremias, o profeta das desgraças?

Com grande alegria, hoje, na nossa meditação iniciamos o livro do profeta Jeremias, que viveu por volta de 650 a.C. O livro relata a vida e os sentimentos de Jeremias, bem como sua missão de profetizar sobre a deportação do povo de Judá para a Babilônia. Jeremias é descrito como uma figura atraente e singular, cheio de poemas e episódios que se relacionam diretamente com sua própria pessoa. Ele enfrenta adversidades, sendo preso e acusado de derrotismo por suas profecias. O texto também aborda a idolatria do povo de Judá e a necessidade de um arrependimento sincero. Jeremias é conhecido como o “Profeta das Desgraças” por anunciar a realidade da deportação e o sofrimento que o povo enfrentaria. Faça a leitura de preferencia em sua Bíblia dos capítulos 1, 2 e 3 do livro de Jeremias (Jr).

Jeremias 

Introdução

1.   1.Palavras de Jeremias, filho de Helcias, um dos sacerdotes que viviam em Anatot, na terra de Benjamim. 2.A palavra do Senhor foi-lhe dirigida no tempo de Josias, filho de Amon, rei de Judá, no décimo terceiro ano de seu reinado. 3.Foi-lhe ainda dirigida no tempo de Joaquin, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do décimo primeiro ano do reinado de Sedecias, filho de Josias, rei de Judá, até a deportação dos habitantes de Jerusalém, no quinto mês.

Vocação de Jeremias

4.Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: 5.Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações. 6.E eu respondi: “Ah! Senhor JAVÉ, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança”. 7.Replicou, porém, o Senhor: Não digas: “Sou apenas uma criança”: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar. 8.Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te – oráculo do Senhor. 9.E o Senhor, estendendo em seguida a sua mão, tocou-me na boca. E assim me falou: “Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios. 10.Vê: dou-te hoje poder sobre as nações e sobre os reinos para arrancares e demolires, para arruinares e destruíres, para edificares e plantares”.*

Visão de Jeremias

11.Nestes termos foi-me dirigida a pa-la­vra do Senhor: “Que vês, Jeremias?” – E eu respondi –: “Vejo um ramo de amendoeira.” 12.“Viste bem” – disse-me o Senhor –, “porque velo sobre minha palavra para que se cumpra.”* 13.Pela segunda vez dirigiu-se a mim a palavra do Senhor, e assim falou: “Que estás vendo?”. “Vejo” – respondi – “uma caldeira fervente cujo vapor toma a direção norte-sul.” 14.Disse-me o Senhor: “É do norte que vai transbordar a desgraça sobre todos os habitantes da terra. 15.Pois vou convocar todos os povos dos reinos do norte – oráculo do Senhor. Eles virão, e cada um estabelecerá seu sólio diante das portas de Jerusalém, em torno de suas muralhas, e de todas as cidades de Judá.* 16.Eu os condenarei pelos males que cometeram, por me haverem abandonado, ofertando incenso a outros deuses e adorando a obra de suas mãos. 17.Tu, porém, cinge-te com o teu cinto e levanta-te para dizer-lhes tudo quanto te ordenar. Não temas a presença deles; senão, eu te aterrorizarei à vista deles; 18.quanto a mim, desde hoje, faço de ti uma fortaleza, coluna de ferro e muro de bronze, erguido) diante de toda nação, diante dos reis de Judá e seus chefes, diante de seus sacerdotes e de todo o povo da nação. 19.Eles te combaterão, mas não conseguirão vencer-te, porque estou contigo, para livrar-te” – oráculo do Senhor.

Ingratidão de Israel

2.   1.A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:* 2.“Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém estas palavras – oráculo do Senhor: Lembro-me de tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado, no tempo em que me seguias ao deserto, à terra sem sementeiras.* 3.Era, então, Israel, propriedade sagrada do Senhor. As primícias de sua colheita, todos quantos dela comiam, carregavam-lhe a culpa, e o mal lhes advinha – oráculo do Senhor. 4.Escutai a palavra do Senhor, casa de Jacó, e vós, famílias todas que sois da casa de Israel – 5.oráculo do Senhor: Que injustiça em mim encontraram vossos pais para que de mim se afastassem correndo após o que é nada, e tornando-se a si mesmos vãos,* 6.por haverem cessado de dizer: ‘Onde está o Senhor que nos fez sair do Egito, guiando-nos através do deserto, terra de desolação e de abismos, terra de aridez e de trevas, terra por onde nenhum homem atravessa, onde homem algum habita?’. 7.Encaminhei-vos a uma terra de vergéis, para lhe comerdes os frutos e saborear-lhe os bens; tão logo chegastes, maculastes-me a terra; e transformastes minha herança em lugar que me causa horror. 8.Não haviam dito os sacerdotes: ‘Onde está o Senhor?’. Os depositários da lei não me conheceram; revoltaram-se contra mim os pastores, e os profetas proferiram oráculos em nome de Baal. Puseram-se a seguir aqueles deuses que nenhum socorro lhes dão. 9.Por isso – oráculo do Senhor –, entro agora em juízo contra vós e contra os filhos de vossos filhos. 10.Passai, portanto, às ilhas de Cetim e olhai: enviai homens a Cedar e observai bem, vede se lá existe algo semelhante. 11.Troca uma nação seus deuses? Os quais nem são deuses! Meu povo, contudo, trocou aquele que é sua glória por aquele que nada é. 12.Ó céus, pasmai, tremei de espanto e horror – oráculo do Senhor. 13.Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água.

Israel não é escravo

14.Israel é servo, porventura? É escravo nascido na própria casa? Por que foi entregue à pilhagem? 15.Rugiram contra ele os leões enfurecidos; transformando a região em deserto, as cidades foram entregues às chamas, e já não possuem habitantes. 16.Até os homens de Mênfis e de Táfnis te raparam a cabeça. 17.Não te aconteceu tudo isso por haveres abandonado o Senhor, teu Deus, quando te guiava pelo caminho? 18.E agora, por que tomas a rota do Egito para ir beber a água do Nilo? Para que tomas o caminho da Assíria, a fim de beber a água do Eufrates? 19.Valeu-te este castigo tua malícia, e tuas infidelidades atraíram sobre ti a punição. Sabe, portanto, e vê quanto te foi funesto e amargo abandonar o Senhor, teu Deus, e não ter tido mais temor algum de mim – oráculo do Senhor JAVÉ dos exércitos. 20.Há muito rompeste o jugo e quebraste os laços; disseste, então: ‘Não quero mais ser dominado’. Sobre todas as colinas elevadas, debaixo de todas as árvores verdejantes, qual cortesã te reclinavas. 21.E eu que te havia plantado de vides escolhidas, todas de boa cepa; como te transformaste em sarmentos bastardos de uma videira estranha? 22.Ainda que te lavasses com potassa, e usasses muito sabão, continuaria teu pecado a macular-te a meus olhos – oráculo do Senhor JAVÉ.

O povo procura o mal

23.Como podes dizer: ‘Não me profanei nem andei atrás dos Baal?’. Olha para os sinais de teus passos no vale, vê tudo o que fizeste. Dromedária leviana, a correr sem rumo,* 24.jumenta selvagem habituada ao deserto, aspirando o vento no calor da paixão, quem a deterá em seus ardores? Aqueles que a procuram não se afadigarão, pois que a encontrarão no mês do seu cio. 25.Toma cuidado que teu pé se não descalce e tua garganta não se resseque: ‘Não vale a pena’ – dizes –. ‘Não! Amo os estrangeiros e quero segui-los’. 26.Assim como se embaraça o ladrão ao ser pego em flagrante, assim também serão confundidos os homens da casa de Israel, eles, seus reis e seus chefes, seus sacerdotes e profetas 27.que dizem à madeira: ‘Tu és meu pai’, e à pedra: ‘Foste tu que me geraste’. Voltam-me as costas, e não o semblante. E depois exclamam, no dia da calamidade: ‘Salvai-nos, Senhor’. 28.Onde estão os deuses que havias feito? Que se levantem, se podem salvar-te no dia da desgraça. Pois que tens tantos deuses quantas cidades, ó Judá. 29.Por que discutis comigo? Vós todos me fostes infiéis – oráculo do Senhor. 30.Em vão castiguei vossos filhos, nem deram atenção à reprimenda. A espada dizimou vossos profetas qual leão devastador. 31.Que raça que sois! Considerai o que diz o Senhor: ‘Tenho eu sido para Israel um deserto, ou terra envolta em trevas?’. Por que clama o meu povo: ‘Eis que somos nossos senhores, e não voltaremos mais para vós?’. 32.Esquece a jovem seus ornatos, ou a noiva seu cinto? Meu povo, porém, esqueceu-me, desde dias sem conta. 33.Bem sabes encontrar o caminho, a fim de procurar o que amas! Assim foi que ensinaste a teus pés o caminho do crime. 34.Até na orla de tua veste vê-se o sangue dos pobres inocentes, que, entretanto, não havias surpreendido em falta. 35.E ainda dizes: ‘Sou inocente; por isso afastou-se de mim a sua cólera’. Eis, porém, que te vou processar, já que dizes: ‘Não pequei!’. 36.Com que pressa mudas de caminho! Serás desiludida pelo Egito, como o foste pela Assíria.* 37.De lá sairás também com a cabeça entre as mãos, porquanto o Senhor repele aqueles em quem confias, e seu apoio não te trará bom êxito”.

Como voltar ao Senhor

3.   1.A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Se um homem repudia a mulher, e ela o abandona para tornar-se mulher de outro, tornará o marido a recebê-la? Não ficará esta terra gravemente profanada? E tu, após haveres pecado com inúmeros amantes, voltarás para mim? – oráculo do Senhor. 2.Ergue os olhos para os lugares altos e vê: onde não te prostituíste? Sentavas à beira dos caminhos a espreitá-los, qual árabe no deserto; e profanaste a terra com teus vícios e devassidões. 3.Assim foram-te as chuvas recusadas, e as águas da primavera não caíram; tu, porém, com semblante lascivo, não quiseste envergonhar-te. 4.E agora clamas: ‘Pai, amigo de minha juventude! 5.Ficará ele para sempre irritado? E guardará de mim eterno rancor?’. Eis o que dizes, ainda que persistindo em praticar o mal”.

As duas nações irmãs

6.No tempo do rei Josias, disse-me o Senhor: “Viste o que fez Israel, a Revoltada? Andou pelas montanhas altaneiras e sob as árvores verdejantes, para entregar-se à prostituição.* 7.E eu pensei comigo mesmo: depois de haver cometido todos esses crimes, ela voltará para mim… Porém, não voltou! Soube disso sua irmã, a Pérfida Judá. 8.E viu como repudiei a Revoltada Israel e lhe concedi a carta de divórcio, em razão de seus adultérios. Contudo, sua irmã, a Pérfida Judá, não se atemorizou, mas também ela se tornou prostituta!* 9.E com sua ardente luxúria maculou a terra, adulterando-se com a pedra e com a madeira. 10.Não obstante tudo isso, sua irmã, a Pérfida Judá, não voltou para mim na inteireza do seu coração. Era apenas hipocrisia” – oráculo do Senhor.* 11.Disse-me em seguida o Senhor: “A Revoltada Israel afigura-se inocente em face da Pérfida Judá. Arrependimento do povo eleito 12.Vai, inclina-te para o norte e profere em altas vozes: volta, Israel, Revoltada – oráculo do Se­nhor; não te mostrarei mais um semblante enfurecido, pois que sou benigno – oráculo do Senhor; não guardo rancor eterno. 13.Reconhece apenas a tua falta; foste infiel ao Senhor, teu Deus; vagaste à procura de (deuses) estrangeiros sob todas as árvores verdejantes; não escutaste minha voz – oráculo do Senhor. 14.Voltai, filhos rebeldes – oráculo do Senhor –, pois que sou vosso Senhor. Eu vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família e vos reconduzirei a Sião. 15.Eu vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com inteligência e sabedoria. 16.Quando vos multiplicardes e numerosos vos tornardes na terra, naqueles dias – oráculo do Senhor – não mais se falará da arca da aliança do Senhor; nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança e a saudade; nem a ela se há de referir.* 17.Naquele tempo, Jerusalém será chamada trono do Senhor e todas as nações lá se reunirão em nome do Senhor, sem mais persistir na obstinação do seu coração perverso. 18.Naqueles dias, a casa de Judá se unirá à de Israel, e das regiões do norte voltarão juntas à terra, cuja posse concedi a seus pais”. 19.“Que lugar” – dissera eu – “vou conceder-te entre meus filhos, que terra de delícias vou dar-te como herança, a mais bela joia das nações! E eu acrescentara: Tu me chamarás: meu pai, e não te desviarás de mim. 20.Mas, qual a mulher que trai aquele que a ama, assim me traíste, casa de Israel – oráculo do Senhor. 21.Nas colinas ressoa um clamor: suspiros de súplica dos israelitas, porque seguiram caminhos tortuosos, esquecendo-se do Senhor, seu Deus. 22.Voltai, filhos rebeldes, e eu sanarei as consequências de vossas revoltas. Aqui estamos dizeis, voltamos para vós, porque sois o Senhor, nosso Deus.”

Resposta do povo

23.Em verdade, é ilusório o culto nas colinas, as festas tumultuosas nas montanhas; é realmente no Senhor, nosso Deus, que se encontra a salvação de Israel. 24.O ídolo infame devora, desde nossa juventude, o produto do labor de nossos pais, o gado e os rebanhos, seus filhos e suas filhas. 25.Deitemo-nos em nossa vergonha, e que nos sirva de coberta nossa ignomínia, pois pecamos, nós e nossos pais, desde a juventude até o dia de hoje, contra o Senhor, nosso Deus, e não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus.*

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