O que esperar deste Natal?

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Chegamos a 1º Semana do Advento do ano de 2020. Caminhamos para a celebração do Natalício do Nosso Senhor. E depois de um árduo e desafiante ano, fica a pergunta: o que esperar deste Natal?

Primeiro é preciso lembrarmo-nos que, independente do tempo e do espaço, das dores e das dificuldades, o Natal é a celebração da ação, o ato concreto da intervenção de Deus, o marco histórico da encarnação do Verbo, a decisão de Amor que transformou a história da humanidade e ressignificou aquilo que somos.

Diante do ano que estamos enfrentando, caracterizado por fortes e inesperadas tribulações, voltarmo-nos para o verdadeiro sentido da celebração do Natal, é trazermos à memória esse mover-Se decidido do Senhor para nos reencontrar e nos devolver a identidade e a dignidade de filhos de Deus, que talvez tenhamos perdido em meio aos estereótipos com os quais mascaramos o nosso eu.

E quando reflito sobre o que esperar do Natal, especialmente neste ano de 2020, volto-me às palavras do Papa Francisco em sua Homilia na Praça São Pedro em março desde ano, quando da celebração extraordinária de oração pela Pandemia da COVID19: “a tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades.”

Essas palavras do Santo Padre revelam que mais do que nunca fomos, e ainda estamos sendo, convidados a uma renovada contemplação do mover-Se do Amor do Pai. A fragilidade do nosso modelo de vida diante do novo Coronavírus, tornou-se um apelo incessante à uma nova esperança. O luto, a tristeza, a saudade e até a imposição de cultura de morte vivenciada em profundidade por nossa sociedade esse ano, expressam o território oportuno para testemunharmos a Graça da sobreposição da Luz às trevas.

Celebrar o Natal ainda no estado de Pandemia, e da possível ameaça de um nova onda da COVID19, é abraçar, diante da Manjedoura, o significado da Cruz, tendo a coragem de expressar por meio das contrariedades do existir a convicta certeza de que Deus está presente na história e deseja nos conduzir ao seu fim último e à sua plenitude, que é o Jesus Cristo.

Do sim pleno da Virgem Maria até o ato salvífico da Cruz, fomos integrados ao acolhimento da esperança para sermos fortalecidos e sustentados da nossa fragilidade humana. E essa fragilidade, tão evidenciada diante de um novo vírus, desaponta como um caminho de religação e uma via de reintegração com a força da decisão de Deus se fazer homem, nascer entre nós e nos retirar do vale das futilidades do tempo presente.

O que verdadeiramente eu espero do Natal é o reavivar do selo indelével que cada um de nós, batizados, possuímos. Que se cumpra em nós a oportunidade de recomeço que esta celebração representa sendo a chance de reconciliação para o transbordar da gratidão, de mesmo em meio às perdas, estarmos vivos para continuarmos vivendo a Providência da Graça de Deus.

Que a COVID19 possa ser um instrumento para ressignificar a nossa visão nos fazendo perceber o verdadeiro, real e imutável significado do Natal. Mais que isso, que o retorno desta compreensão seja o impulso para adoção de uma nova postura vigilante na certeza de que o Nosso Deus voltará!

 

Por: Rodrigo Almeida, fvc

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