Fez da sua vida um altar para o Senhor

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Maria de Jesus Vieira Assis nasceu no dia 04 de dezembro de 1927 na “terra que ensinou a Paraíba a ler” – como ela mesma gostava de dizer, mas por questões comuns à época, teve no seu Registro de Nascimento a data de 04 de janeiro de 1928.

Apenas com três anos de idade sua mãe faleceu, ficando seu pai viúvo e vários irmãos. Seu pai decidiu-se então casar novamente, quando foi criada pela madrasta e irmãs mais velhas. Foi quando aos 16 anos de idade decidiu seguir a sua vocação e realizar uma experiência vocacional na Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, na Arquidiocese de Olinda e Recife.

Já tendo realizado os primeiros votos na Congregação, após cinco anos de vida religiosa – por não atender algumas regras internas do instituto – deixou o convento.

Ao chegar a Campina Grande foi residir com sua madrinha. Após alguns anos, no dia 21 de agosto de 1950, foi convidada pelo “Padre Francisco” para ser a sacristã da nova capela da Paróquia da Catedral de Campina Grande, a Capela de São Pio X – inaugurada em 14 de março do mesmo ano.

Pelo difícil temperamento de sua madrinha, foi expulsa da casa onde morava. Por não ter para onde ir e sem ter como se manter, nos primeiros dias dormiu nos bancos da Capela de São Pio X e foi trabalhar como doméstica na residência de muitas famílias da cidade. Então decidiu concluir os estudos para buscar uma “vida melhor”. Quando concluiu o “Ginásio”, conseguindo ingressar como servidora pública da Prefeitura Campina Grande, em 1º de outubro de 1977.

Trabalhando na função de Gari, certo dia foi vista pelo Prefeito da época limpando as ruas da cidade. Ele a conhecia das Missas na Capela de São Pio X, por esse motivo a promoveu para coordenadora da lavanderia pública do bairro do Cruzeiro, sendo depois transferida para a Secretaria de Serviços Urbanos. Trabalhando como almoxarife e ao final servindo cafezinho e água nos setores.

Após um longo processo judicial com o proprietário do terreno – onde tinha um pequeno quarto alugado na Rua Sólon de Lucena, ficou mais uma vez sem ter onde residir. Foi quando em outubro de 1991, foi acolhida na sede da Comunidade de São Pio X, sendo presença desde sua fundação. Apesar de não ter assinado a ata de fundação, pelo seu testemunho de serviço e fidelidade foi sempre considerada pioneira da Comunidade.

Em 1º de novembro de 1992, conseguiu adquirir através de financiamento da Caixa Econômica Federal, uma pequena casa no bairro do Cinza (Rocha III). Porém como não tinha como pagar a parcela, decidiu repassar após oito meses.

Em 1994, ao final do mês de junho teve a sua aposentadoria autorizada e daí em diante se dedicou unicamente ao serviço do Senhor na Comunidade de São Pio X, onde ingressou como membro após alguns anos de identificação com o modo de vida, sendo a primeira residente interna.

Dona Jesus ou simplesmente Jesus, como os irmãos da comunidade sempre a chamaram tornou-se um ícone de serviço, perseverança e fidelidade comprovada por sua história. Mas também o seu jeito, as suas histórias engraçadas, a sua forma de estreitar os laços de serviços comunitários para familiar são suas maiores características. Poderia contar várias histórias, mas para retratar a sua vida e simplicidade, melhor contar da sua alegria em ter sido sorteada pelo Baú da Felicidade, andando de avião pela primeira vez e conhecendo Silvio Santos.

Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se a interceder pelos irmãos e pela obra da Comunidade de São Pio X. Não queria parar, pois ela sempre foi assim: passo rápido, resposta pronta, nunca precisava de ajuda… Tudo era defesa para não mostrar a pequena mulher que saiu de Cajazeiras por saudade da mãe e que ainda tinha bonecas em seu quarto.

Gustavo Lucena, fvc

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